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Florescer celebra arte, afeto e protagonismo no 4º Festival de Poesia da Funac

Com inspiração na afrocultura e em escritoras como Conceição Evaristo e Maria Firmina dos Reis, o evento consolidou-se como um espaço de expressão ...

01/12/2025 às 18h53
Por: Redação Fonte: Secom Maranhão
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- Com inspiração na afrocultura e em escritoras clássicas, evento consolidou-se como um espaço de expressão e dignidade (Foto: Divulgação)
- Com inspiração na afrocultura e em escritoras clássicas, evento consolidou-se como um espaço de expressão e dignidade (Foto: Divulgação)

O Centro Socioeducativo Florescer promoveu, na última quinta-feira (27), a 4ª edição do Festival de Poesia, reunindo teatro, música, literatura e performances que evidenciaram o potencial criativo das socioeducandas e reafirmaram a arte como instrumento de transformação dentro da política socioeducativa. Com inspiração na afrocultura e em escritoras como Conceição Evaristo, Maria Firmina dos Reis, Carolina Maria de Jesus e Djamila Ribeiro, o evento consolidou-se como um espaço de expressão e dignidade.

A presidente da Funac, Sorimar Sabóia, ressaltou o impacto simbólico e educativo do festival. “O Florescer reafirma que, quando garantimos oportunidades de expressão, nossas adolescentes respondem com sensibilidade e potência. O festival é uma ação estruturante dentro da socioeducação porque fortalece a autoestima, amplia repertórios e cria vínculos. É nossa missão assegurar que cada jovem tenha espaços seguros para se reconhecer, se expressar e construir novos caminhos”, afirmou Sorimar.

A programação teve início com a peça A Vaga de Emprego, que trouxe humor e crítica social, seguida pela apresentação da atriz Fernanda Rafaela, que emocionou o público com o espetáculo Aluga-se Escoras e Andaimes, da Cia Eu Não Sei Fazer Teatro. Ao final da apresentação, a atriz destacou a importância de retornar ao Florescer e a força criativa das jovens.

“Eu já tinha vindo ao Florescer fazer um trabalho de escrita criativa, e elas têm muito potencial para a escrita. O trabalho apresentado é um texto pautado em memórias afetivas — são memórias da minha infância, adolescência e vida adulta — em que faço uma reflexão sobre afetividade, solidão e a minha condição de mulher que se entendeu negra muito tarde. É um espetáculo totalmente construído em cima dessas memórias, e, junto com ele, levamos a oficina de escrita criativa. É muito bom estarmos em um evento como este, vendo as meninas participarem das discussões sobre raça, gênero, espaços de fala e vozes que muitas vezes não são ouvidas. É gratificante estar aqui hoje”, destacou Fernanda.

Na sequência, o público acompanhou recitações poéticas, apresentações de poesia falada, intervenções de rap e o momento de escrevivência, quando as socioeducandas transformaram suas próprias experiências em literatura viva. Para uma das jovens participantes, subir ao palco significou um marco pessoal.

“Eu nunca imaginei que minha história pudesse virar poesia. Quando eu falei ali, senti que estavam me ouvindo de verdade. É um sentimento de coragem, como se eu pudesse começar tudo de novo”, refletiu a socioeducanda.

O evento contou com o apoio de toda a equipe e com a organização cuidadosa da servidora Iara Everton, responsável pela curadoria do Festival Afrocultura dentro da programação. Sua atuação reforçou o compromisso da unidade com ações que ampliam a participação das socioeducandas e servidores em debates sobre identidade, pertencimento e cidadania.

“Organizar o Festival Afrocultura dentro do 4º Festival de Poesia é mais do que preparar uma programação: é construir um espaço onde essas jovens possam se ver, se ouvir e se reconhecer como parte de uma história maior. Cada atividade pensada, cada texto trabalhado e cada apresentação ensaiada têm como objetivo fortalecer vínculos, despertar autoestima e garantir que elas se percebam como protagonistas de suas próprias narrativas", frisou Iara.

"Quando vemos uma socioeducanda subir ao palco para recitar um poema ou contar sua escrevivência, estamos assistindo, na prática, à socioeducação acontecendo com dignidade, escuta e afeto. A arte tem essa potência de abrir caminhos onde antes havia silêncio. É por isso que este festival é tão valioso: porque dá voz, dá lugar e devolve sentido. Estou profundamente orgulhosa de cada uma delas e de toda a equipe que tornou este momento possível”, concluiu.

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