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Asma continua causando número elevado de mortes no Brasil

Apesar de tratável, devido ao desconhecimento da população e dos profissionais de saúde, a asma continua levando a óbitos diariamente, no Brasil.

18/07/2024 às 10h25
Por: Redação Fonte: Agência Dino
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A asma é uma condição crônica que afeta milhões de brasileiros, representando um desafio significativo para o sistema de saúde do país. De acordo com Paulo Corrêa, da Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia (SBPT), cerca de 20 milhões de adultos no Brasil têm essa condição respiratória, com diferentes graus de gravidade, sendo que entre 5 a 10% desses casos são classificados como asma grave.

Zuleid Mattar, da Associação Brasileira de Asmáticos (ABRA), destaca que apenas uma pequena parcela das pessoas com asma, aproximadamente 12,3%, mantém a condição controlada. A maioria enfrenta níveis variados de falta de controle, o que pode resultar em exacerbações frequentes e complicações severas. Para melhorar os resultados clínicos e a qualidade de vida das pessoas com asma, Sonia Martins, da CAPA | GEPRAPS afirma que estratégias envolvendo a Atenção Primária à Saúde têm mostrado impactos positivos ao facilitar o acesso precoce ao diagnóstico e ao tratamento adequado.

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Além dos desafios clínicos, as barreiras socioeconômicas continuam a ser obstáculos significativos para muitas pessoas com asma. Flávia Lima, da ABRAF, observa que a falta de acesso regular a medicamentos essenciais, especialmente através do Sistema Único de Saúde (SUS) e da farmácia popular, é uma preocupação central. Ela alerta que medicamentos essenciais para os cuidados da asma estão restritos às farmácias de alto custo, distantes da atenção primária e da maior parte da população. Ao mesmo tempo, Pedro Presta Dias, da Secretaria de Atenção Primária à Saúde, do Ministério da Saúde, destaca iniciativas recentes para mitigar esses desafios. Isso inclui a ampliação do acesso a tratamentos eficazes e a implementação de políticas de saúde voltadas para a educação contínua de pessoas com asma e profissionais de saúde.

Álvaro Cruz compartilha que em Salvador estão sendo oferecidos ambulatórios de referência para pessoas com asma grave, alcançando uma redução de 74% nas hospitalizações por asma em todo o município nos primeiros três anos de funcionamento do programa PróAr. “Posteriormente, observamos uma redução de 29% na mortalidade ao longo de 10 anos. Outros municípios no Brasil também implementam iniciativas bem-sucedidas, embora em menor escala e sem um programa de capacitação e pesquisa acoplados, como é o caso do PróAr, reconhecido pela Organização Mundial da Saúde como modelo de demonstração”. O especialista revela ter trabalhado na OMS entre 2006 e 2008, onde o foco também era a capacitação dos profissionais da atenção primária.

Sonia Martins, representante do Grupo de Estudos e Pesquisa Respiratória na Atenção Primária (GEPRAPS), enfatiza que, embora a asma e a Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (DPOC) sejam prevalentes, muitas vezes o cuidado se limita ao tratamento das crises agudas, ignorando o potencial de intervenção precoce e de manejo contínuo. Álvaro Cruz acrescenta que a falta de conscientização e capacitação adequada contribui significativamente para o subdiagnóstico e tratamento inadequado dessas condições, destacando a necessidade urgente de programas educacionais contínuos e campanhas de saúde pública direcionadas.

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Maria José Evangelista, do Conselho Nacional de Secretários de Saúde (CONASS), ressalta os desafios estruturais enfrentados pelo sistema de saúde brasileiro na organização da atenção primária. Ela enfatiza a necessidade de integrar os diferentes níveis de atenção à saúde, garantindo que a atenção primária seja fortalecida com capacitação adequada e suporte contínuo. Pedro Presta Dias sublinha a necessidade de políticas públicas robustas para enfrentar fatores de risco como tabagismo e poluição do ar, que contribuem para o aumento da incidência de doenças respiratórias crônicas.

É crucial lembrar que a asma é uma condição tratável, embora ainda ocorram de 5 a 6 mortes por dia e cerca de 250 crianças morram anualmente devido à condição, como enfatiza Zuleid Mattar. Enquanto o Brasil avança em direção a melhores cuidados para a asma, ainda há um longo caminho a percorrer para garantir que todas as pessoas com asma tenham acesso equitativo a tratamentos eficazes e cuidados coordenados. Mark Barone, fundador do FórumCCNTs, ressalta que "a colaboração entre os setores público, privado e terceiro setor é essencial para enfrentar os desafios persistentes e melhorar os resultados de saúde para aqueles que vivem com asma no país." Para mais informações visite o site do FórumCCNTs.

 

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