
A nova operação da Polícia Federal contra o deputado federal Josimar Maranhãozinho (PL-MA), alvo de buscas na última quinta-feira (25), voltou a expor conexões já apontadas pela investigação entre o grupo do parlamentar maranhense e o senador Eduardo Gomes (PL-TO), ex-líder do governo Jair Bolsonaro no Congresso. Gomes não aparece como alvo da Operação Afluente, autorizada pelo ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), mas seu nome já havia sido citado em relatório anterior da PF sobre suspeitas de desvio de emendas parlamentares.
A operação desta semana apura crimes de corrupção, desvio de recursos públicos e lavagem de dinheiro ligados a emendas do chamado orçamento secreto. Segundo a PF, os valores teriam passado pela Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba (Codevasf) e, depois, direcionados a empresas supostamente vinculadas ao grupo investigado.
Maranhãozinho já havia sido condenado em março pela Primeira Turma do STF por corrupção passiva em caso envolvendo a destinação de emendas parlamentares ao município de São José de Ribamar, no Maranhão. O colegiado entendeu que o grupo usou emendas como moeda de troca para cobrar propina do então prefeito. A pena fixada ao deputado foi de 6 anos e 5 meses de reclusão, em regime inicial semiaberto.
A relação com Eduardo Gomes aparece em outro braço da apuração. Em fevereiro de 2025, reportagens do Metrópoles e do UOL mostraram que a PF encontrou mensagens entre Carlos Roberto Lopes, então secretário parlamentar de Maranhãozinho, e um contato identificado como “Lizoel Assessor”. Os investigadores associaram o contato a Lizoel Bezerra, apontado como pessoa ligada a Gomes.
Nas conversas, segundo a PF, Lizoel cobrava de Carlos Lopes um suposto “saldo devedor” de R$ 1,3 milhão. Em uma das mensagens, ele afirma que “o homem” estaria “na agonia” para pagar contas e viajar. Em outro trecho, diz que o atraso poderia prejudicá-lo “no próximo orçamento”. Para os investigadores, as mensagens indicariam cobrança de valores ligados a porcentagens de emendas parlamentares.
A PF encaminhou o caso à Procuradoria-Geral da República para avaliação sobre a abertura de uma apuração específica envolvendo Gomes. A PGR, segundo as reportagens, determinou em agosto de 2024 a extração do material da Operação Emendário para diligências preliminares em procedimento autônomo.
À época, a assessoria de Eduardo Gomes negou irregularidades. Disse que, como líder do governo Bolsonaro e relator setorial do Orçamento, o senador destinou recursos para vários estados e que as indicações fora do Tocantins ocorreram dentro dessa função. Também afirmou que Lizoel Bezerra atuou como motorista em campanhas políticas do senador e não era funcionário do gabinete no Senado.
A nova operação da PF não altera, por ora, a situação formal de Gomes. O senador não foi apontado como investigado na Operação Afluente. O que a nova fase faz é recolocar sob atenção pública o grupo de Maranhãozinho, já condenado pelo STF e ligado, em relatórios anteriores da Polícia Federal, a mensagens que mencionam pessoas próximas ao senador tocantinense.
Sem resposta
A Folha do Girassol entrou em contato com a assessoria de imprensa do senador Eduardo Gomes para solicitar um posicionamento sobre a repercussão da nova operação da Polícia Federal e as menções ao seu nome em investigações anteriores relacionadas ao assunto. No entanto, até a publicação desta reportagem, não houve retorno aos questionamentos encaminhados.
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