Segunda-feira, agosto 15, 2022

Via Varejo, Linx e BTG figuram entre as empresas com maior avanço do investidor pessoa física

O crachá da professora universitária Carmen Varela, de 54 anos, se destacava em meio ao dos outros 300 participantes em um evento realizado em dezembro pela Via Varejo em São Paulo, voltado para o mercado financeiro.

Num ambiente em que as pessoas geralmente se identificam pelo nome do lugar em que trabalham — bancos de investimento, casas de análise e fundos —, Carmen tinha apenas a palavra “acionista” como referência em sua credencial.

Ela é uma das 122 mil pessoas que compõem a base de investidores pessoa física da Via Varejo, empresa que registrou o maior crescimento no número de acionistas desse tipo do fim de 2017 até 2019. Em apenas dois anos, o aumento foi de cerca de 20 vezes, segundo levantamento realizado pelo Valor.

A professora ganhou a alcunha de “acionista” em outubro de 2019, quando passou a diversificar seus investimentos, repetindo um movimento crescente entre os brasileiros frente à queda da taxa básica de juros e à melhora das perspectivas econômicas.

O avanço começou a ganhar corpo em 2017 e se acelerou no ano passado, com a popularização de plataformas de investimento, o crescimento de casas de análise independentes e da chamada “FinTwit”, uma comunidade composta por analistas, gestores e “traders” que usam a rede social Twitter para discutir diariamente o comportamento do mercado financeiro.

Somente em 2019, a bolsa somou cerca de 865 mil novas contas de investidores pessoa física, alcançando a inédita marca dos 1,67 milhão. Desde 2017, o crescimento foi de 171%.

Além da Via Varejo, outras companhias registraram forte avanço de investidores individuais em suas bases. Na empresa de softwares Linx, o número aumentou nove vezes, para pouco mais de 5,8 mil pessoas.

No banco BTG Pactual, o crescimento foi de cerca de 800%, para 12,2 mil investidores. Na operadora de planos de saúde Qualicorp e no grupo de medicina diagnóstica Fleury o aumento foi de cerca de 500%, para 26,5 mil e 85,8 mil, respectivamente. O Carrefour registrou a maior queda, de 29%, para 3,3 mil, seguido pela Tenda, com recuo de 28%, para 7,9 mil pessoas.

No levantamento, foram usados dados de empresas cujas ações compõem o IBRX 100, índice que reúne os papéis com maior representatividade e liquidez da B3. Foram desconsiderados os dados de três empresas (SLC AgrícolaB2W e Lojas Americanas) devido à divergências nos dados. Os números foram retirados dos formulários de referência de 2019 e dos documentos de 2017.

No caso da Via Varejo, o crescimento no número de acionistas pessoa física foi influenciado pela compra de uma participação pela gestora de investimentos XP, cerca de 7% do capital social, em junho de 2019. “A empresa ganhou mais visibilidade com a mudança na gestão e com as perspectivas de recuperação financeira”, diz Gabriel Succar, gerente de relações com investidores da companhia.

Para o BTG Pactual, o aumento de investidores individuais acompanhou a valorização de 235% dos seus papéis em 2019 — a segunda maior alta do Ibovespa no ano, atrás apenas das ações da Qualicorp e acima dos papéis da Via Varejo.

“O aumento significativo do número e participação de pessoas físicas no nosso capital nos dá bastante orgulho, principalmente porque corrobora o movimento de sofisticação dos investidores e democratização do mercado de capitais brasileiro”, diz Pedro da Rocha Lima, sócio do banco.

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