Quinta-feira, agosto 11, 2022

Tocantins, 31 anos. Estado poderia ser mais desenvolvido

Eu começo perguntando como estaria, na presente época, o antigo norte goiano?

Até 1989, ano da instalação da mais nova unidade federativa do Brasil, a região era conhecida como o quintal esquecido do Governo de Goiás, que sobrecarregava os hospitais públicos de Brasília e de Goiânia; que enviava seus jovens e adolescentes para estudarem em faculdades e colocação funcional nos mercados de trabalho de Goiânia e Brasília.

Felizmente quis Deus – o acaso não existe -, que um homem de temperamento e liderança fortes, Siqueira Campos, se aportasse no coração desta região e tirasse dos arquivos da História a bandeira da criação do estado do Tocantins, empunhada pelo ouvidor Teotônio Segurado ( 1775/1831) e outras figuras ilustres do antigo norte goiano. Luta vitoriosa na promulgação da atual Constituição brasileira, em 5 de outubro de 1988.

Instalado o Estado, com capital provisória na cidade de Miracema, o desenvolvimento do Tocantins foi rápido. Basta dizer que o estado foi implantado e sua capital definitiva inaugurada em pouco menos de um ano. Pavimentação das rodovias – hoje o Tocantins só tem duas ou três cidades não ligadas por asfalto a Palmas – e das cidades; prédios públicos para a Educação, Saúde, órgãos da administração pública, principalmente na capital; pontes; geração de empregos e renda. Enfim ações rápidas empreendidas pelo primeiro governador, para um mandato de 2 anos; Siqueira Campos, sucedido pelo Dr. Moisés Avelino; novamente Siqueira Campos, Marcelo Miranda e Siqueira Campos. Foi uma fase de harmonia e desenvolvimento e o Tocantins se tornou num dos estados mais estruturados da região Norte do Brasil.

Mas, infelizmente, este processo começou a se emperrar na primeira cassação do segundo mandato de Marcelo Miranda e uma sequência de desencontros políticos oriundos do Palácio Araguaia, por meio do troca-troca de governadores, jogadas políticas sem se importar com o equilíbrio social, político e econômico do estado e que culminou numa situação sui generis, com a troca-troca de governadores e três eleições em um só ano, em 2018. Pa-ra-li-sou o governo e o estado como um todo.

Aliado a estes problemas políticos, há os esquemas de corrupção ou equívocos administrativos que fizeram com que milhões de reais – quem sabe bilhões de reais – vazassem pelos ralos da Secretaria da Fazenda. Às vezes nem chegava por lá. Com exceção do ex-governador Moisés Avelino, todos os outros respondem a processos por corrupção e abuso de poder.

Em síntese, o Tocantins seria muito mais desenvolvido, inclusive na Saúde, não fosse estes problemas de instabilidade política e desvios de recursos públicos. Quantas pontes, hospitais, creches, unidades de educação, cultura e lazer seriam construídos com esses recursos vazados do Estado para contas particulares?

Felizmente, o atual governador, embora acusado de irregularidades e respondendo a processos em relação a suas duas eleições, vem mantendo uma política de austeridade e reajuste fiscal que culminaram numa situação mais segura e no resgate do pagamento em dia da folha do funcionalismo público. Já é um bom caminho para a retomada da estabilidade social, política, econômica e da infraestrutura do Tocantins. Aliás, faço outro parágrafo oportuno – e oportunista por conhecimento de causa (eu ouço, observo o panorama geral do estado) e sofrer na pele este problema.

O governador Mauro Carlesse acerta nesta política e erra em outras como o tratamento dado à prestadores e fornecedores do estado – prazo de tramitação de empenho e pagamento muito além do já demorado tempo na administração pública estadual e municipal no Brasil. O governo colocou entre os órgãos públicos e a Secretaria da Fazenda um conselho gestor que trava esse processo. Esse grupo analisa se paga ou quando paga os empenhos. Está errado: quando um órgão manda um processo para ser pago na Fazenda, ele está embasado pelo seu orçamento e pela legalidade e está sujeito a auditoria do TCE. Outra coisa, neste contesto de equívoco, é o tratamento que o governo tem dado aos micros e pequenos empreendedores: o de menosprezo. E isto se justifica, na visão equivocada não só do atual governo, mas também de alguns de seus antecessores, porque o micro e pequeno empresários não dão status político e econômico. Só os grandes, para os quais só faltam estender o tapete vermelho e servir as mais caras bebidas, como fazia o ex-governador Marconi Perillo, de Goiás. Ora, os pilares do desenvolvimento e da geração de empregos no estado são de micros e pequenos empreendedores. Fecho este parênteses e encerro o assunto.

Mais um escândalo e os investidores nacionais e internacionais desistem de vez deste imenso potencial no coração do Brasil.

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