Sábado, agosto 13, 2022

Óleo está diminuindo, mas é difícil dizer quanto ainda vai chegar ao litoral, diz Marinha

Para o almirante Leonardo Puntel, o fato de o óleo viajar embaixo da superfície da água dificulta a detecção. Governo informou que, no domingo (3), praias de seis estados do NE estavam sem óleo.

O comandante de Operações Navais da Marinha, Leonardo Puntel, afirmou nesta segunda-feira (4) que o surgimento de novas manchas de óleo no litoral do Nordeste está diminuindo, mas ainda é difícil dizer o quanto vai chegar às praias.

Puntel participou, junto com outras autoridades, de uma apresentação à imprensa no Ministério da Defesa sobre a operação para combater as manchas e identificar os responsáveis pelo derramamento. As manchas começaram a surgir no final de agosto, e praias dos nove estados da região foram afetadas.

Segundo o militar, o que dificulta a identificação do volume que ainda pode chegar é o fato de o tipo de óleo derramado ficar sob a água e não ser detectável por satélites ou aviões.

“Dizer quanto óleo ainda tem é muito difícil falar. Até porque há um arrefecimento”, afirmou. “Como o óleo vem submerso, nós não sabemos se ainda existe muita coisa ou pouca coisa. Não existe efetivamente uma maneira correta e precisa para monitorar essas manchas de óleo”, completou o almirante.

De acordo com a Marinha, o volume de manchas no litoral vem apresentando uma tendência de diminuição nos últimos dias. Na apresentação à imprensa, as autoridades disseram que, neste domingo (3), havia ocorrência de manchas em praias de três estados: Bahia, Sergipe e Alagoas. Nos outros seis estados do Nordeste, as praias afetadas não apresentavam óleo, de acordo com a Marinha.

“O que estamos vendo? Um arrefecimento real estatístico da quantidade de óleo nas praias. Há mais de cinco dias que não chega óleo nenhum em Pernambuco”, disse Puntel.

Ainda de acordo com o governo, até a noite do domingo, 4 mil toneladas de óleo já haviam sido recolhidas de 314 localidades, em 110 municípios.

O almirante Puntel afirmou ainda que, como não é possível detectar quanto óleo ainda pode chegar ao litoral do país, as autoridades devem ficar “vigilantes o tempo todo”.

Ele explicou que as correntes marítimas, em constante modificação, podem levar o material, por exemplo, para países do Caribe.

“As correntes marítimas tomam rumos diferenciados. Muito óleo que poderia ou foi lançado ao mar pode ter pego o rumo das correntes da Guiana e ter se dirigido ao Caribe, talvez até em maior quantidade”, disse o almirante.

Investigações

O delegado Franco Perazzoni, da Polícia Federal, disse que os dados apreendidos pela Operação Mácula, na última sexta-feira (1), ainda serão analisados.

As informações serão enviadas nesta segunda-feira ao Rio Grande do Norte, onde as investigações estão sendo conduzidas.

Agora, as investigações entram em uma nova fase, que envolve a cooperação com autoridades no exterior.

Segundo o delegado, a primeira etapa, de cooperação policial, já foi iniciada com um pedido de informações por meio da Interpol.

De acordo com Perazzoni, foram solicitadas informações à Grécia, dona da embarcação, relacionadas a documentos referentes à carga e à tripulação.

A Polícia Federal solicitou também informações da Venezuela, onde foi abastecido o cargueiro, Singapura, onde teria descarregado e África do Sul e Nigéria, por onde passaram recentemente.

“A gente está nessa fase, aguardando as respostas das empresas, e a gente tem os próximos passos da investigação”, declarou.

“A empresa vai ser notificada agora, vai tomar conhecimento do teor todo da investigação, e vai ser solicitada via Interpol para apresentar os documentos e as provas que alega ter. A empresa é suspeita no momento, não houve indiciamento”, afirmou o delegado.

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