O Governo do Maranhão, por meio da Secretaria de Estado da Saúde (SES), em parceria com equipes municipais e agentes de endemias de São Luís, São José de Ribamar e Paço do Lumiar, promoveu, na manhã desta segunda-feira (1º), uma caminhada educativa no bairro Cidade Operária, em alusão à Semana Estadual de Mobilização contra o Aedes aegypti.
Durante a ação, profissionais da SES e agentes de endemias abordaram os moradores da localidade e dialogaram sobre a importância da adoção de pequenas atitudes que fazem a diferença no combate ao mosquito transmissor das arboviroses dengue, zika e chikungunya.
“Nosso objetivo foi chamar a atenção da população para a necessidade dos cuidados prévios de combate ao Aedes aegypti. O período sazonal está se aproximando, mas é necessário que façamos essa abordagem com antecedência, verificando a existência ou não de criadouros dentro das residências. É pensando no bem-estar das pessoas, e com o apoio dos municípios, que o Governo do Estado quer fortalecer o enfrentamento ao mosquito, evitando agravos e também óbitos”, afirmou a coordenadora do Programa Estadual de Prevenção e Controle das Arboviroses, Joseneide Matos.
Júlio César Pereira, responsável técnico pelas arboviroses no município de São Luís, destacou algumas das ações de enfrentamento ao mosquito. “No último LIRAa, realizado em outubro, tivemos média de 1,1, o que representa um índice um pouco acima do determinado pelo Ministério, mas que ainda está sob controle. Mesmo assim, estamos realizando nebulização, visitas domiciliares e monitoramento dos pontos de apoio. Dos 431 bairros existentes em São Luís, cerca de 30 são considerados prioritários, situados nas regiões da Cidade Operária, Cidade Olímpica, Coroadinho, Itaqui-Bacanga e Monte Castelo”.
Por meio de ações diretas e de diálogo com a sociedade, a SES busca sensibilizar a população para a importância da eliminação de criadouros, considerando que 80% deles estão dentro das residências. Além disso, é essencial manter a vacinação contra a dengue em dia e adotar medidas contínuas de prevenção.
Dona Regina Célia Barbosa, 54 anos, moradora do Jardim América, aprovou a iniciativa. “Tem gente que pensa que esses mosquitos não são uma coisa tão grave, mas eles são. A minha mãe, inclusive, teve chikungunya no ano passado e até hoje sofre com dores por causa da doença. Por isso, é muito importante essa campanha, assim como cada um fazer a sua parte, sendo responsável por não acumular água e lixo. A população tem que fazer parte dessa campanha também”.
PROGRAMAÇÃO
A mobilização integra ações educativas, inspeções em pontos estratégicos e rodas de conversa em escolas da rede pública de diversos municípios da Grande Ilha.
Na terça-feira (2), pela manhã, a programação será realizada no CE Joaquim Aroso e, à tarde, no CEM Prof. José França, ambas as escolas localizadas no município da Raposa. Os alunos participarão de uma roda de conversa sobre o enfrentamento ao mosquito transmissor.
Na quarta-feira (3), será a vez das escolas CE Prof. Machadinho e CE Robson Campos Martins, em Paço do Lumiar, receberem as ações promovidas pela SES em parceria com o município. A programação continua na quinta-feira (4), ainda em Paço do Lumiar, com atividades no CE Humberto de Campos e no CE Francisco de Assis Ximenes.
A Semana Estadual de Mobilização contra o Aedes aegypti segue na sexta-feira (5) com estudantes de São José de Ribamar, das escolas CE Tarquínio Lopes e CEM São José de Ribamar. O encerramento ocorrerá no sábado (6), no CE Paulo Freire, localizado no bairro Turu, em São Luís.
CENÁRIO
Segundo levantamento do Programa de Prevenção e Controle das Arboviroses, do Departamento de Epidemiologia da SES, até a 45ª Semana Epidemiológica foi observada redução expressiva nas três principais arboviroses monitoradas no Maranhão (dengue, chikungunya e zika) ao comparar 2025 com o mesmo período de 2024.
A dengue apresentou a maior queda. Em 2024, foram registrados 11.348 casos prováveis e 7.266 confirmados até a SE 45. Em 2025, os números caíram para 5.459 casos prováveis e 3.418 confirmados — reduções de aproximadamente 52% e 53%.
A chikungunya também registrou queda: de 999 casos prováveis e 677 confirmados em 2024 para 572 prováveis e 333 confirmados em 2025, indicando reduções de cerca de 43% e 51%.
A zika teve diminuição ainda mais acentuada: de 355 casos prováveis e 179 confirmados em 2024 para 195 prováveis e 26 confirmados em 2025, uma redução de 45% nos prováveis e 85% nos confirmados.
De acordo com o Sistema de Informação de Agravos de Notificação (SINAN-SES), as regionais de São João dos Patos, Balsas, Açailândia, Imperatriz, Timon, Zé Doca e Chapadinha precisam ampliar a vigilância diante do volume de notificações.
Os municípios de Davinópolis, São Pedro da Água Branca, Paulo Ramos, Coelho Neto, Araioses, Tutóia, Alto Alegre do Maranhão, Ribeirãozinho do Maranhão (antigo Governador Edison Lobão), Matões do Norte, Lagoa Grande do Maranhão, Turiaçu, Senador Alexandre Costa, São Domingos do Maranhão, Primeira Cruz, Sucupira do Norte, Cândido Mendes e Junco do Maranhão registraram índices médio e alto de infestação no Levantamento de Índice de Infestação do Aedes aegypti (LIRAa), elevando o risco de surtos.
ORIENTAÇÕES
Entre as principais ações de prevenção estão:
- evitar água parada em recipientes;
- manter tonéis, caixas, barris e calhas de chuva sempre tampados;
- fazer o descarte correto do lixo em sacos plásticos;
- guardar garrafas de vidro e latinhas com a boca para baixo;
- manter lixeiras fechadas;
- guardar pneus em locais cobertos;
- utilizar repelentes como medida adicional de proteção.