Meio Ambiente Tocantins
Tocantins entra em estado de alerta máximo contra incêndios; especialistas apontam cenário crítico para 2026
Combinando previsões climáticas severas e recordes históricos de temperatura, o estado intensifica campanhas educativas e endurece fiscalização para conter o avanço do fogo no bioma Cerrado.
29/07/2026 08h04
Por: Redação 01

Com a consolidação do período mais crítico do ano, o Tocantins se prepara para enfrentar uma das temporadas de queimadas mais desafiadoras dos últimos anos. A junção de fatores climáticos extremos  como a umidade relativa do ar que pode cair a índices inferiores a 15%, termômetros marcando até 40°C e ventos fortes  transforma a paisagem do Cerrado em um verdadeiro barril de pólvora. Diante desse cenário, o governo estadual, por meio do Instituto Natureza do Tocantins (Naturatins), decretou situação de atenção máxima e ampliou as ações de prevenção e fiscalização em todo o território.

O alerta não é apenas sazonal. Dados preliminares do INPE (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais) indicam que o número de focos de calor detectados nos primeiros meses de 2026 já supera a média histórica do quinquênio anterior, sugerindo que a vegetação, ainda ressequida por um verão atípico, está mais vulnerável. "Não estamos lidando com um ano comum. A pré-condição do solo e da biomassa está extremamente seca, o que acelera a combustão e dificulta o combate. A prevenção é, de fato, a única ferramenta eficaz neste momento", afirmou a engenheira florestal e consultora ambiental Carla Mendes.

Comportamento humano é o maior vilão

Embora os raios e o calor extremo possam ser fatores naturais de ignição, a grande maioria dos incêndios no estado tem origem antrópica. O Naturatins tem direcionado suas campanhas para desmistificar práticas culturais enraizadas, como a "limpeza" de terrenos com fogo e a renovação de pastagens por meio de queimadas não autorizadas.

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O órgão ambiental destaca que pequenos descuidos no dia a dia podem ter consequências devastadoras. Entre os hábitos de alto risco, estão:

 

Prejuízos vão além do verde

Os impactos das queimadas no Tocantins vão muito além da perda da biodiversidade. O setor agropecuário, principal motor da economia local, também sofre perdas milionárias com a destruição de cercas, pastagens plantadas e canaviais. Além disso, a fumaça densa que encobre cidades como Palmas e Araguaína no auge da estiagem provoca uma sobrecarga no sistema de saúde, com aumento exponencial de internações por insuficiência respiratória e irritações oculares, principalmente entre idosos e crianças.

No trânsito, a névoa de poluição reduz drasticamente a visibilidade nas rodovias estaduais, como a TO-050 e a TO-222, elevando o risco de colisões frontais e engavetamentos.


Queima controlada: suspensão e exceções

Em ação preventiva, o Naturatins reafirmou a suspensão total das Autorizações Ambientais de Queima Controlada (AQCs) até o dia 31 de outubro, conforme estabelecido pela Portaria nº 190/2026. A medida visa evitar que o manejo agrícola se transforme em tragédia ambiental durante o pico da seca.

A única exceção à regra, conforme esclarece o órgão, é para as queimas de baixa intensidade realizadas por comunidades indígenas e quilombolas para a agricultura de subsistência, além das ações táticas de combate e prevenção em Unidades de Conservação, que seguem protocolos rígidos de segurança.

Canais de denúncia e penalidades

A população se torna o principal olho do território neste período. O Naturatins reforça o pedido para que qualquer avistamento de coluna de fumaça ou indício de queimada irregular seja comunicado imediatamente. O acionamento rápido das brigadas de incêndio é o fator decisivo para impedir que um pequeno foco se transforme em um grande desastre.

Os responsáveis por queimadas ilegais estão sujeitos a penalidades severas, que incluem multas que podem ultrapassar a casa dos milhares de reais por hectare danificado, além de responderem por crimes ambientais previstos na Lei de Crimes Ambientais (Lei 9.605/98), com possibilidade de detenção.

Em caso de emergência, o acionamento deve ser feito imediatamente pelo Corpo de Bombeiros (193) ou pela Ouvidoria do Naturatins.

 

A colaboração de cada cidadão, seja evitando atitudes de risco ou denunciando irregularidades, é a arma mais poderosa para proteger o patrimônio natural do Tocantins e garantir a qualidade de vida de todos durante este período crítico.