A equipe médica que acompanha o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) fez um alerta contundente na noite desta sexta-feira (13). Em coletiva de imprensa, os profissionais classificaram o quadro de broncopneumonia bacteriana bilateral como o mais grave já enfrentado pelo ex-mandatário, com risco potencialmente fatal.
“Uma pneumonia aspirativa pode evoluir para uma insuficiência respiratória e, se você não intervir, o paciente pode morrer”, afirmou o médico Claudio Birolini. Apesar de descrever o estado de saúde de Bolsonaro como estável no momento, Birolini destacou que “o risco de um evento potencialmente mortal surge nessas circunstâncias”.
Esta é a terceira pneumonia enfrentada por Bolsonaro e, segundo os médicos, a mais severa delas. “Foi uma pneumonia mais grave do que as duas que ele teve no ano passado”, comparou Birolini. O cardiologista Leandro Echenique reforçou que a ameaça à vida persiste mesmo com o tratamento em andamento. “Ele vai continuar nesse risco no futuro. Claro que as medidas preventivas são tomadas, algumas com mais dificuldades por conta do ambiente em que ele está, mas o risco permanece”, acrescentou.
A equipe apontou o refluxo gastroesofágico como o fator desencadeante da pneumonia aspirativa. “Nós já havíamos alertado nos relatórios do risco de pneumonia aspirativa pelas questões do refluxo. E, novamente, estamos aí tendo que lidar com essa situação, que é bastante crítica e que realmente põe em risco a vida do paciente”, explicou Birolini.
Os médicos destacaram que a rapidez no deslocamento do ex-presidente ao hospital foi decisiva para evitar a necessidade de intubação. Atualmente, Bolsonaro recebe antibioticoterapia venosa e suporte clínico não invasivo na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital DF Star, em Brasília.
Não há prazo para a alta da UTI nem para a recuperação total, que é estimada como “mais lenta” em razão da gravidade do quadro e das comorbidades do paciente. O tratamento com antibióticos deve durar entre sete e 14 dias. “Com as comorbidades que ele tem, também são fatores agravantes. O fato de o tratamento ter sido rápido vai amenizando isso, mas nós não temos ainda um prazo determinado”, detalhou Echenique.
Bolsonaro tem 70 anos e um histórico de cirurgias abdominais desde a facada sofrida em 2018. Ele completará 71 anos no próximo dia 21.
A internação ocorre dez dias após a Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) confirmar, por maioria, a manutenção da prisão do ex-presidente. A defesa de Bolsonaro havia solicitado a transferência para a prisão domiciliar, argumentando que a sala do Estado-Maior (conhecida como “Papudinha”), no Complexo Penitenciário da Papuda, não teria estrutura médica adequada.
O pedido, no entanto, foi rejeitado pelo ministro Alexandre de Moraes, que apontou que Bolsonaro está na Papudinha justamente por ter tentado romper a tornozeleira eletrônica enquanto cumpria prisão domiciliar anteriormente.
O ex-presidente foi transferido da Papudinha para o hospital após a confirmação do quadro respiratório grave. O boletim médico do DF Star confirma a broncopneumonia bacteriana bilateral de provável origem aspirativa e registra que ele permanece sob cuidados intensivos.
Fonte: Orla Notícias