A Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG) prendeu preventivamente, nesta sexta-feira (27), o hacker Eduardo Henrique Amorim, de 19 anos, acusado de invadir sistemas do Poder Judiciário e inserir documentos falsos no Banco Nacional de Mandados, incluindo ordens de prisão contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).
As investigações revelam que o jovem utilizava credenciais obtidas de forma fraudulenta pertencentes a um policial penal para acessar sistemas oficiais e cadastrar mandados judiciais falsos. De acordo com a PCMG, Eduardo teria incluído mais de 90 mandados de prisão sem qualquer fundamentação legal no banco de dados do Conselho Nacional de Justiça (CNJ).
"Trata-se de uma ação grave contra a integridade do sistema judiciário brasileiro. O investigado não apenas inseria mandados falsos, como também realizava bloqueios indevidos de bens e contas bancárias de terceiros, causando prejuízos e transtornos a cidadãos comuns", afirmou o delegado responsável pelo caso, em coletiva de imprensa.
As apurações indicam que Eduardo Henrique possui amplo conhecimento em tecnologia da informação e teria sido um dos responsáveis por ataques cibernéticos registrados em janeiro deste ano contra protocolos de segurança de sistemas judiciais estratégicos, como o Renajude e o Sisbajud plataformas utilizadas para controle de ordens judiciais, restrições veiculares e bloqueios de valores.
Há fortes indícios de que o hacker também comercializava, na dark web, dados de acesso fraudulentos a esses sistemas. De acordo com a polícia, o grupo criminoso do qual ele faz parte negociava alvarás de soltura e baixas de mandados pela internet, permitindo que detentos fossem liberados ilegalmente ou evitassem prisões em diferentes estados.
Além de Eduardo, outros suspeitos foram identificados. Um adolescente de 15 anos, também integrante do esquema, teve a participação confirmada nas investigações. Em Brasília, a mãe do jovem foi presa sob acusação de gerir os lucros obtidos com as atividades criminosas e dar suporte logístico às operações do grupo.
A PCMG não descarta novas prisões e aprofundamento das investigações para identificar outros envolvidos e possíveis compradores dos serviços ilegais oferecidos pelo grupo.
Especialistas em cibersegurança alertam para a vulnerabilidade de sistemas públicos diante da sofisticação de ataques conduzidos por criminosos cada vez mais jovens. "O caso expõe fragilidades críticas na proteção de dados e no controle de acesso a sistemas judiciais. É urgente uma revisão dos protocolos de segurança e a adoção de medidas como autenticação multifator e monitoramento contínuo", avalia a consultora em segurança digital Amanda Lemos.
A defesa de Eduardo Henrique Amorim ainda não se manifestou publicamente. O jovem permanece à disposição da Justiça em Caldas Novas, onde aguarda transferência para unidade prisional em Minas Gerais.
Fonte: Orla Notícias