A prefeita de Palmas, Cinthia Ribeiro (PSDB), colocou o time em campo de olho em outubro. Como no dito popular, antes tarde do que nunca. No dia 20, em solenidade com o senador Eduardo Gomes (MDB), sua diminuta bancada na Câmara fez uma contundente defesa de sua reeleição, o que se repetiu no dia seguinte, em outro evento, com a senadora Kátia Abreu (PDT).

 

É perceptível que a prefeita vem se movimentando mais em eventos públicos. Cinthia é uma pessoa afável, que sabe ser simpática e agradável com as pessoas. Assim, não dá para entender por quê demorou tanto para iniciar esses movimentos. Mas, de novo, antes tarde do que nunca.

O ápice da nova fase ocorreu nessa quarta-feira, 29, quando a prefeita recuou do que havia dito e anunciou o reajuste de 12,84% de piso a todo o magistério, uma reivindicação da categoria que já havia dado dor de cabeça para o ex-prefeito Carlos Amastha (PSB). Na semana passada, ela disse à imprensa que não poderia conceder tamanha reposição sem ferir a Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) e a Lei Orçamentária Anual (LOA), aprovadas pela Câmara, e os próprios limites estabelecidos pela Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF). Assim, fez agora um movimento de claros contornos eleitorais e que confirma que Cinthia foi para o jogo.

Só é preciso alertar para que não cometa as mesmas insanidades de todos os ex-governadores que antecederam Mauro Carlesse (DEM) e que usaram o reajuste e outros benefícios ao funcionalismo como instrumentos de cooptação de voto e arrebentaram com as contas públicas do Estado. O próprio município afirma que todas as reposições anunciadas nessa quarta-feira representaram um impacto anual em folha de R$ 20,3 milhões. Para quem já chorava problemas financeiros, como fez a prefeita várias vezes, é um gasto considerável.

Paralelo a essa vontade demonstrada nas ações administrativas e eventos de governo, Cinthia ainda empurra sua definição partidária, ingrediente fundamental na receita de sucesso eleitoral. Afinal, ela tem líderes que a seguem e aguardam. Um primeiro passo foi dado com a ocupação do Patriota pelo seu secretário de Finanças, Rogério Ramos.

No entanto, já estamos entrando em fevereiro, no início de abril encerra o prazo para filiações de pré-candidatos e, até lá, Cinthia deve estar com seus líderes devidamente acomodados. É preciso lembrar que agora não há mais coligações proporcionais e a prefeita precisas fazer um chapa forte de vereadores. Ainda que possa acreditar na sua reeleição, não fazer um bom número de parlamentares será, se vencer, continuar enfrentando os profundos desgastes com a Câmara.

Só olhar a situação em que vive atualmente. Sua bancada — está mais que provado — se reduz a sete vereadores. Ou seja, Cinthia hoje não conta com maioria simples para aprovar qualquer coisa. No final de ano mesmo viu seus vetos serem derrubados e mantida a emenda que a obriga a pagar as despesas de exercício anterior em ordem cronológica. Uma derrota considerável.

Em outra frente, os adversários têm se movimentado com mais agilidade e estão conversando entre si em ritmo frenético, tentando se unificar para derrotá-la, alvo que Amastha colocou em entrevista, como uma de suas prioridades em 2020.

No campo dos possíveis aliados, cada dia fica mais claro que Cinthia não poderá contar com o Democratas, que caminha a passos largos para a base do Palácio Araguaia, pelo menos para o pré-candidato dele em Palmas, o vice-governador Wanderlei Barbosa (PHS).

Assim, se Cinthia avança nas movimentações entre o eleitorado, fazendo gestos administrativos, no campo partidário ainda se mexe a passos de tartaruga, num momento em que o tempo se torna cada vez mais escasso.

Palmas, 30 de janeiro de 2020.