Convocado pela primeira vez depois de ser cortado em março, atacante conta que até preparou discurso para trote. Ele diz que sentiu diferença “muito grande” do futebol brasileiro para o europeu

Vinicius Junior foi só sorrisos na sua primeira coletiva de imprensa na seleção principal. Cortado em março por conta de uma lesão sérianos ligamentos do tornozelo, o atacante de 19 anos lembrou do corte e destacou a ascensão meteórica que o levou do Flamengo para o Real Madrid.

O jogador contou do sonho de estar na Copa do Mundo de 2022 e a relação com a língua da sua nova casa: o espanhol. Contou do episódio com Messi, quando uma entrevista foi mal interpretada e o Real Madrid precisou intervir para desfazer a polêmica.

E não se esquivou sobre um assunto sempre em pauta para quem acabou de chegar no futebol europeu: a evolução profissional do atleta de futebol.

– A diferença é muito grande. Quando cheguei no Madrid parecia que tinha acabado de voltar da base para o profissional. O Casemiro e o Marcelo sempre falam que, em dois meses, você evolui o que no Brasil ia demorar mais. E estou jogando com os melhores lá, isso me motiva mais, me obriga a estar mais concentrado para chegar no nível deles. Tenho que evoluir mais e escutar mais o que eles podem me passar – disse Vinicius.

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O brasileiro dá entrevistas em espanhol praticamente desde que chegou ao clube merengue, ainda que num sotaque truncado e algumas pronúncias a se trabalhar. No entanto, reconhece que é uma tarefa complicada.

– Já consigo entender tudo e dar entrevista até. No início é sempre complicado, mas tenho me saído bem. Já caí em uma pegadinha do Messi, mas o Real conseguiu falar e tranquilizar. Eu tentei falar que o Messi não botava medo na nossa equipe e saiu que ele nao botava medo em ninguém. Só que não tinha como falar isso, né? Ele é um dos melhores de todos os tempos – afirmou Vinicius Junior.

O episódio em questão aconteceu em fevereiro deste ano, antes de um clássico entre Real Madrid e Barcelona, quando Vinicius equivocadamente: “Messi no asusta a nadie” (“Messi não assusta a ninguém”, na tradução correta). Em seguida, no Twitter, ele se corrigiu e encerrou a polêmica.

Sobre a primeira chance na seleção brasileira principal, Vinicius Junior disse saber que “viria em um momento certo”.

– Tudo é parte do caminho. (Em março) Era meu melhor momento na carreira, me machuquei e não vim, mas sei que Deus tem um propósito para mim, e minha família me tranquilizou dizendo que tudo viria num momento certo. Egora estou aqui na primeira convocação de renovação. Estou muito feliz – lembrou.

E o trote? Bom, em relação a isso o jovem atacante está pronto.

– Está chegando a hora. Acho que vai ser hoje à noite. Tem que ser (a música) “Atrasadinha”, que o pessoal não deixa trocar (risos). Tenho que preparar a voz para mais tarde. Já preparei o discurso e tudo – finalizou.

Veja os outros assuntos da entrevista de Vinicius Junior:

Rápida ascensão

– Percorri todo o caminho, por toda a base da Seleção, e o Carlos Amadeu sempre falava que tinha que passar por todas para evoluir e sentir o que era a seleção. Agora estou aqui com 19 anos, depois de uma excelente temporada de Real Madrid, jogando já na primeira temporada de Europa. Fico feliz por essa carreira e por todo mundo que me ajudou, como o Casemiro, Marcelo lá no Real, que me deram todo o apoio para fazer o melhor dentro de campo.

Chegar cedo à Seleção

– Chegar cedo é sempre bom porque você escuta desde cedo, fica maduro mais cedo, com mais experiência. Fico feliz de estar aqui tão novo, com grandes jogadores, alguns dez anos mais velhos do que eu, para aprender. Que eu possa seguir o caminho dos grandes jogadores.

Neymar

– No clube (Real Madrid) não estavam passando nada para a gente. Não posso falar muito sobre isso.

Sonho de Seleção

– Nem nos meus melhores sonhos esperava estar com 19 anos na Seleção e no Real. Fico feliz de estar aqui com grandes jogadores e realizar esse sonho. Quero entrar com a cabeça tranquila no jogo para fazer minha estreia.

Posicionamento

– Não só na Seleção, mas em todos os clubes, os destros gostam de jogar na esquerda, como o Hazard. E aqui também. Cada um tem característica diferente, e o treinador define. No inicio é sempre muito complicado, mas estou me adaptando bem, treinando e pedindo para o zidane me colocar ali. Porque aumenta a chance de jogar onde for. Na esquerda ou direita, ter a facilidade de jogar nas duas me ajuda. Lá e na Seleção.

Flamengo

– O elenco está muito bom, com grandes jogadores que já atuaram na Europa, Gabigol, Bruno Henrique em excelente fase. Sempre estou acompannhando e espero que ganhe os dois (Brasileiro e Libertadores).

Cobrança na Espanha

– A cobrança é muito diferente. No brasil a torcida vai no treino, vai criticar nos jogos. Lá é mais em rede social mesmo. Tem que estar preparado, porque o Real está sempre no topo, e o maior time do mundo tem sempre a maior cobrança. Não tem isso lá. Nos jogos é para torcer, e na rua, quando te encontram, tratam com muito carinho.

Real Madrid

– Onde o Real vai tem torcedor, e fico feliz porque muitos torcem pelo Real por minha causa no Brasil e pelos outros brasileiros que sempre vão para lá.

Copa de 2022

– Sem dúvida nenhuma (quero jogar) Vou ter evoluído bastante. Em um ano já cresci bastante, agora tem Seleção para crescer com os melhores do nosso país. É muito importante.

Condução da carreira

– Na minha vida tudo tem acontecido muito rapidamente. Mas minha família me tranquiliza e não tenho pressa de nada.

Seleções de base

– Chego para evoluir, trabalhar e desfrutar ao máximo desses dez dias. Tenho que manter a calma. Sou muito novo. Se não for agora, ainda posso evoluir e servir de novo a Seleção.

Vai jogar as Olimpíadas?

– Não fizeram nenhum contato, mas se precisar, estou aí, sim. É um sonho. Nossa geração é muito boa, Paquetá, Richarlison, Jesus, Rodrygo… Fico feliz de estar com eles, e que a gente possa se classificar e ser campeão de novo.

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