Domingo, agosto 14, 2022

Em dez anos, Maranhão registra aumento de 41,7% na taxa de detecção de Aids

Maranhão ocupa o 4º lugar no ranking de estados que registraram aumento. Tire suas dúvidas sobre a doença, os mitos, as formas de prevenção e tratamento.

 

Em alusão ao Dia Mundial da Luta contra a Aids, lembrado nesse domingo (1º) o G1 Maranhão preparou um especial com dados, mitos sobre a doença e as formas de prevenção. No vídeo acima, Jocélia Frazão, chefe do Departamento de Atenção às DST/Aids e Hepatites Virais da Secretaria de Estado da Saúde (SES), responde as principais dúvidas sobre o tema.

Os dados apontam que mais de 135 mil brasileiros vivem com HIV e não sabem. De acordo com o Ministério da Saúde, o Maranhão registrou entre 2008 e 2018 um aumento de 41,7% na taxa de detecção da doença por 100 mil habitantes. Em reflexo disso, o estado ocupa a 4ª posição no ranking em relação aos demais estados, ficando atrás do Rio Grande do Norte, Amapá e Tocantins.

Há dez anos, o Maranhão tinha uma taxa de 13,9% de detenção em casos de Aids, em 2018, o número subiu para 19,7%. O relatório ainda aponta que também cresceu em 28,6% a taxa de mortalidade no estado, subindo de 4,2% em 2008 para 5,4% em 2018.

Em dez anos, taxa de detecção da Aids no Maranhão subiu para 41,7%.  — Foto: Reprodução/G1 MAEm dez anos, taxa de detecção da Aids no Maranhão subiu para 41,7%.  — Foto: Reprodução/G1 MA

Em dez anos, taxa de detecção da Aids no Maranhão subiu para 41,7%. — Foto: Reprodução/G1 MA

Segundo Jocélia Frazão, dados da SES apontam que é maior a incidência de pessoas infectadas com o vírus no estado em jovens ou adultos, com faixa etária de 25 a 50 anos e afirma que tem crescido o número infectados com idade acima dos 55 anos.

“Hoje a faixa etária ainda é em adultos, ou seja, de 25 a 50 anos de idade, mas nós estamos com um alerta para idosos, acima de 55 ou 60 anos. Nossa maior preocupação são os adolescentes e jovens na faixa etária de 15 a 25 anos. A gente alerta mesmo a essa faixa etária, vem tendo um aumento significante nos últimos cinco anos, é um desafio muito grande porque trabalhar com a juventude é difícil, mas o estado e a secretaria de Saúde, não tem medido esforços para conceder informações para essa faixa”, disse.

Jocélia Frazão, chefe do Departamento de Atenção às DST/Aids e Hepatites Virais da Secretaria de Estado da Saúde (SES), foi entrevistada pelo G1 Maranhão. — Foto: Reprodução/G1 MAJocélia Frazão, chefe do Departamento de Atenção às DST/Aids e Hepatites Virais da Secretaria de Estado da Saúde (SES), foi entrevistada pelo G1 Maranhão. — Foto: Reprodução/G1 MA

Jocélia Frazão, chefe do Departamento de Atenção às DST/Aids e Hepatites Virais da Secretaria de Estado da Saúde (SES), foi entrevistada pelo G1 Maranhão. — Foto: Reprodução/G1 MA

Como identificar a doença

No Maranhão, a doença pode ser rapidamente identificada em até 30 minutos, após a realização de um teste de sangue, que podem ser feito em Unidades Básicas de Saúde (UBSs) e Centros de Testagem e Aconselhamento (CTA). Além disso, ele também verifica se a pessoa também é portadora de sífilis ou das hepatites B ou C.

O teste deve ser realizado dentro da janela imunológica, que é o tempo de infecção pelo vírus e a identificação dos anticorpos que são produzidos pelo organismo. Josélia Frazão explica que caso a pessoa seja identificada no teste como portadora do vírus HIV ela é automaticamente encaminhada para dar início ao tratamento.

“Esse teste rápido é distribuído para todas as unidades básicas de saúde, nós encaminhamos para as regionais e eles disponibilizam para os municípios. E se no caso essa pessoa procurar uma unidade básica de saúde e ela for soropositiva, a orientação é que esse usuário se vincule logo ao serviço, iniciando logo o tratamento na unidade básica de saúde com a medicação”, explica Josélia.

Tratamento

A Aids é uma doença que ainda não possui cura. O paciente que for identificado com a doença inicia seu tratamento com os medicamentos antirretrovirais, que ajudam inibir a multiplicação do vírus HIV e evitam o enfraquecimento do sistema imunológico.

Segundo o Ministério da Saúde, existem atualmente, 21 medicamentos que são usados para o tratamento da doença e que são distribuídos gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS).

Prevenção

A prevenção ainda é o método mais eficaz para combater a infecção pelo vírus. O uso da camisinha ainda é um método muito eficiente contra a Aids e as doenças sexualmente transmissíveis. Além disso, também deve tomar cuidado quem utiliza agulhas e seringas diariamente, sempre optando pelo uso de produtos descartáveis. Mulheres gestantes que são portadoras do vírus também devem ficar alerta e realizar o pré-natal corretamente para evitar que a doença seja passada ao bebê.

Existem também as chamadas Profilaxia Pós-Exposição (PEP) e a Profilaxia Pré-Exposição (PrEP), que são medidas de urgência para infecções causadas pelo vírus. O procedimento é ofertado pelo SUS pela rede estadual de Saúde e é realizado com medicamentos.

Jocélia Frazão alerta que os métodos são indicados para grupos específicos e que a população deve ficar alerta. A PEP é indicada principalmente para pessoas que passaram por casos de violência sexual, relação sexual desprotegida (sem uso da camisinha ou com rompimento do material), acidente com instrumentos cortantes ou contato direto com material biológico.

Já a PrEP não é indicada para todos os casos, somente para pessoas que tenham mais chances de entrar em contato com o vírus. Dentre os mais vulneráveis, estão:

  • Pessoas que deixam de usar camisinha frequentemente nas relações sexuais;
  • Tem relações sexuais com alguém que tenha o vírus HIV e que não esteja em tratamento;
  • Faz uso repetido de PEP;
  • Homossexuais;
  • Pessoas trans;
  • Profissionais do sexo;
  • Pessoa que frequentemente apresenta episódios de infecções sexualmente transmissíveis.

A camisinha ainda é um dos métodos mais eficazes para combater o vírus transmissor da Aids. — Foto: Reprodução/G1 MAA camisinha ainda é um dos métodos mais eficazes para combater o vírus transmissor da Aids. — Foto: Reprodução/G1 MA

A camisinha ainda é um dos métodos mais eficazes para combater o vírus transmissor da Aids. — Foto: Reprodução/G1 MA

Mitos e verdades

G1 listou alguns mitos e verdades sobre o HIV que foram derrubados pela ciência. Veja abaixo:

É possível contrair o vírus estando perto de pessoas HIV positivo?

Falso. O contato físico com alguém que possui o vírus não gera a transmissão. Além disso não será contaminado quem dividir itens de alimentação, tocar em assentos de vaso sanitário, maçanetas, compartilhar fonte de água, abraçar, beijar ou apertar as mãos.

Se contrai HIV via sexo oral?

Verdadeiro. Os riscos de infecção são menores do que a relação sexual comum, mas ainda há chances de infecção.

Remédios alternativos podem curar a Aids?

Falso. Ainda não existe cura para a doença.

Mães com HIV podem contaminar os filhos?

Não necessariamente. O organismo da mãe é capaz suprimir o vírus e a criança nascer sem ele. Por isso, a realização de um pré-natal é importante para garantir a saúde de ambos.

A data

O Dia Mundial da Luta contra a AIDS foi instituído há 30 anos durante a Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU) e da Organização Mundial de Saúde em 27 de outubro de 1988. A criação foi feita cinco anos após a descoberta do vírus causador da doença, o HIV, quando mais de 65 mil pessoas já haviam sido diagnosticadas com o vírus e mais de 38 mil já haviam falecido.

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