Segunda-feira, agosto 15, 2022

De gratidão e a humildade do ex-governador Marcelo Miranda

Tripudiar em cima da desgraça alheia é um dos atos mais covardes, antiéticos e desumanos que uma pessoa pode cometer. Julgar sem ter moral e autoridade para isto, idem.
 
Tenho acompanhado o desenrolar da prisão preventiva do ex-governador Marcelo Miranda e o que mais me chamam a atenção – depois do estranho fato de instância superior nenhuma lhe conceder habeas corpus para responder ao processo contra ele em liberdade ou por meio de prisão domiciliar -, são os achincalhes, com julgamentos e até sentença via redes sociais, principalmente, contra a sua pessoa, não respeitando o seu sofrimento, o de sua família, principalmente o da esposa, dos filhos e de sua mãe, esta já com idade bem avançada e sofrendo muito. Estas baixaria e menosprezo partem, inclusive, de antigos amigos (ou pseudo amigos) e de pessoas que, quando o político estava no poder, babavam aos seus pés em busca de privilégios, principalmente nas secretarias da Fazenda, Infraestrutura e Comunicação Social.

Ora! Na terra e nos céus, só duas instituições têm a moral e o dever de julgar – na terra, a Justiça; nos céus, Deus. Marcelo ainda está sob investigação e, se julgado culpado, terá que pagar pelo mal feito. Todos nós estamos sujeitos a erros, uns se livram de tentações; outros, não. Só os desequilibrados tripudiarão sobre o veredicto final, como se fossem imunes a erros ou  paladinos na moral.

Dentro deste contexto, não é fácil ter um amigo passando por esta situação, acusado das piores ações que um homem, público ou não, pode cometer. Não é fácil, principalmente, para um jornalista que sempre defendeu a ética na política administrativa do Estado, do Brasil. É o meu caso, em relação ao Marcelo, e aqui eu digo e repito: podem ter havido erros, irregularidades e corrupção nos três mandatos do governador Marcelo Miranda, como podem ter havido em todos os outros governos tocantinenses, com exceção do ex-governador Moisés Avelino que se defendeu de todas as acusações que seu principal adversário lhe acusava. Os demais, até o atual, estão sob investigação. Mas não me cabe julgar, nem a Marcelo, nem os outros ex e o atual, pelo cidadão comum e pelo jornalista que sou.
 

Só não acredito, até que me provem, na acusação de que ele participou de assassinatos.


Eu não diria que Marcelo é meu amigo ou que somos amigos, pois sou daqueles que acreditam – e tenho experimentado isto frequentemente – que políticos não têm amigos, têm interesses.

Na minha formação moral familiar e cristã eu aprendi a ter gratidão. Ingratidão é um sentimento vil, típico do mau caráter, daquele que cospe e pisa no prato que lhe serviu o alimento que matou a sua fome.

Eu tenho muita gratidão e consideração pelo ex-governador Marcelo Miranda, razão das minhas preocupações para com ele. Por que? Porque, durante seus governos, ele pessoalmente, sempre dispensou a mim enorme carinho, admiração, consideração e meios de parceria entre o meu trabalho e o seu governo para o desenvolvimento do Tocantins. Nunca fui atrás e nunca tive privilégios em seus governos e em governo nenhum. Quem quiser tirar uma prova disto, procure na pasta a qual sempre prestei serviços, a Comunicação Social, e veja o meu cadastro de prestação de serviços e recebimentos. Bem menos do que recebem jornaizinhos e sites criados para puxar saco de políticos, sem nenhum retorno social e econômico para o Estado.
 

E não tenho “rabo preso” a quem quer que seja. E não aceito ser tratado como moleque ou “joão-ninguém” – por mais humilde que eu seja – como querem, me ver, alguns no atual governo. Por este tenho respeito, por aqueles, pena pela falta de visão de Estado e de Política. Bom que eu diga isto aqui, é oportuno.


E colhemos muitos frutos com essas parcerias: atração de investimentos, projetos, entre outros para o Tocantins. Frutos não para o meu próprio benefício ou dele, mas de todo o contexto da sociedade tocantinense, sobretudo do desenvolvimento econômico, doi agronegócio. 
Marcelo sempre recomendava para os titulares das pastas da Comunicação Social, do Desenvolvimento Econômico e da Agricultura – pastas correlatas ao meu trabalho -, que “cuidem do Antônio Oliveira”. E o saudoso Eudoro Pedroza, duas vezes titular da pasta da Indústria e Comércio, completava: “O Antônio Oliveira é companheiro e dá resultados para o Estado”.

E não fui, não sou e nem serei filiado a um partido político. Não tenho compromissos partidários, os tenho com governantes, quando esses querem, quando entendem que o desenvolvimento de um estado se faz com engrenagens públicas e privadas.

Tenho algumas histórias que envolvem eu e o ex-governador que evidenciam este respeito à minha pessoa e a sua humildade inconteste.

Certa vez, um deputado muito ligado a Marcelo Miranda soprou no meu ouvido: “Se você não sabe, o governador Marcelo Miranda tem por você uma admiração e consideração muito grande, pelo trabalho que você realiza. Esta consideração lhe dá até a prerrogativa de despachar com ele até em sua residência”. Ouvi e não dei crédito ao parlamentar, mesmo porque sempre gostei de respeitar a hierarquia, o protocolo.

Mas vai que um dia, um secretário de Estado me humilhou, ignorou a minha pessoa e minha larga folha de serviços prestados ao estado do Tocantins. Pensei com meus botões: “Vamos ver se Marcelo tem mesmo esta consideração por mim”.

No dia seguinte, fui a casa dele e
 diante do segurança, me identifiquei, sendo atendido depois por uma secretária que quis saber quem era eu e do que se tratava.

– Faz o seguinte: leva este cartão de visitas para ele e diga-o que preciso falar com ele, que deve saber quem eu sou e se me atende ou não – disse para a moça.

E assim ela fez, voltando minutos depois com a resposta.

– O governador disse que te atende sim, mas não hoje, pois ele está muito ocupado atendendo alguns prefeitos aqui. Ele não pôde ir ao Palácio, pois está doente, despacha aqui.

Saí de lá, pensando com meus botões: “Vai me atender porra nenhuma”. Entrei no meu carro e fui embora.

Duas quadras depois, a caminho do meu escritório, meu celular tocou e o atendi. Do outro lado, alguém fala “Antônio, é Marcelo”. Eu já estava tão puto da vida com a humilhação de um secretário de Estado e por não ser recebido pelo governador que nem lembrava mais quem era Marcelo. “Fala, Marcelo”, disse, grosseiramente.

– Antônio Oliveira, é o governador, porra.

– Ô, governador, desculpe-me – respondi.

– Você quer falar comigo?

– Sim, quero.

– Tem que ser hoje?

– Agora, se possível.

– Volte aqui – disse-me o Marcelo.

Lá fui eu de volta, já encontrando portão e portas abertas. No seu gabinete de trabalho, quando iniciei uma fala, discorrendo sobre o meu trabalho e a minha pessoa, ele me cortou…

– Antônio Oliveira, conheço seu trabalho, sua índole moral, seu e de cada um de seus filhos. Vá direto ao assunto – frisou.

Expliquei todo o problema que eu tinha para resolver junto ao governo e não conseguia. Então, ele pegou o telefone, ligou para uns dois ou três auxiliares de primeiro e segundo escalões. Desligou e voltou-se para mim.

– Antônio, você me dá um voto de confiança de 15 dias?

– Dou, sim, governador.

Quando levantei para ir embora, ele me pediu para ficar mais, trocando algumas ideias com ele.

De outra vez, quando ele fora cassado, pela primeira vez, lhe fiz, em sua casa, uma visita de solidariedade, o encontrando abatido.

– Governador, posso lhe fazer algumas observações sobre sua cassação?

– Antônio, sou humilde o bastante para ouvir – respondeu-me.

– O senhor já deve levar em conta que tens luz própria, não precisa mais estar sob a luz ou aba de um ou de outro. O senhor caiu por algumas companhias bem próximas…

– Antônio, já me falaram isto.

Mais uma vez, quando me levantei para ir embora, deprimido, me pediu para ficar mais um pouco com ele e me contou sua mágoa com alguns amigos e até com um auxiliar de primeiro escalão. Disse-me que no dia da votação de sua cassação no TSE, todos os seus auxiliares estavam em sua casa em solidariedade a ele. Quando terminou a votação, que culminou na sua queda, ele procurou, entre seus auxiliares, um deles. Já não o viu mais. Olhou para a televisão e viu este titular na casa do então deputado estadual e presidente da Assembleia Legislativa, Carlos Gaguim, que o sucederia no dia seguinte. O poder é traidor.

O último “arranca-rabo” – digamos assim -, que eu tive com o Marcelo, foi pouco tempo antes de sua segunda cassação. Eu precisava falar com ele assunto de interesse de Estado e havia protocolado dois pedidos de audiências sem ser levado em consideração pela sua chefia de gabinete e sua secretária.

Certo dia, após uma solenidade em seu gabinete, em Palácio, o chamei a um canto e reclamei.

– Você nunca foi atendido porque não quis. Já ti falei que quando não abrirem minha agenda aqui em Palácio para você, que me procure em minha casa e lá já te recebi duas vezes.

Respeito e consideração geram respeito, gratidão e simpatia. Torço para que tudo corra bem com o ex-governador. Torço, mas não o julgo. Nem certo ou errado.
Deus o proteja e sabe o que faz.
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