Sexta-feira, agosto 19, 2022
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Banhistas confundem rochas escuras com manchas de óleo na Praia do Forte, em Cabo Frio, no RJ

Imagens do material começaram a circular em grupos de mensagens e análise mostrou que se tratam de rochas sedimentares.

Um material escuro parecido com o óleo que atingiu a costa do Nordeste e chegou ao litoral norte do estado do Rio no último final de semana apareceu nesta quarta-feira (27) na Praia do Forte, o principal ponto turístico de Cabo Frio, na Região dos Lagos do Rio, e assustou banhistas.

Várias fotos começaram a correr nos grupos de mensagens, mas a Prefeitura já fez análises e descartou que o material seja óleo.

Agentes da Secretaria de Meio Ambiente e da Guarda Marítima e Ambiental estiveram no local e constataram que se trata de arenito de praia, rochas sedimentares escuras.

A Secretaria de Meio Ambiente reforçou que foi elaborado um plano de contingência e emergência, com procedimentos a serem adotados pelos órgãos envolvidos direta ou indiretamente no monitoramento e resposta caso ocorra surgimento de óleo ou fragmentos no mar ou nas praias da cidade.

Óleo no litoral do RJ

O Grupo de Acompanhamento e Avaliação (GAA) formado pela Marinha, Agência Nacional de Petróleo (ANP) e Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) confirmou a presença do óleo que atingiu o Nordeste em duas prais do Rio: Grussaí, em São João da Barra, e Santa Clara, em São Francisco de Itabapoana, ambas no Norte Fluminense.

Foram encontrados aproximadamente 300 gramas do material em Grussaí e 20 gramas em Santa Clara.

Segundo o GAA, as praias já estão limpas e equipes fazem o monitoramento. Ainda de acordo com o grupo, até o momento, não foram encontrados novos vestígios de óleo no estado do Rio.

Também foram coletados materiais na praia de Guriri, em São Francisco de Itabapoana; no Canal das Flechas, em Quissamã; e na praia do Barreto, em Macaé; mas não houve confirmação de compatibilidade com o óleo do Nordeste, ainda segundo o GAA.

Mais de 700 localidades atingidas

As primeiras manchas de óleo foram localizadas na Paraíba em 30 de agosto. Desde então, o óleo já foi localizado em mais de 700 localidades. Entre os municípios do litoral nordestino, principal região do Brasil atingida, 72% dos municípios tiveram praias afetadas.

Durante mais de um mês, o óleo ficou concentrado em praias de oito estados: Alagoas, Ceará, Maranhão, Paraíba, Pernambuco, Piauí, Rio Grande do Norte e Sergipe.

Um marco na cronologia da crise ocorreu em 3 de outubro, quando o óleo chegou ao litoral da Bahia. Depois disso, no começo de novembro, no dia 8, a Marinha apontou que fragmentos chegaram ao Espírito Santo. Em quase três meses de desastre, os dados mostraram que a cada 10 locais atingidos, 3 voltaram a apresentar manchas de óleo após limpeza no Nordeste. Nas semanas recentes, o ritmo da reincidência diminuiu e aumentou o número de localidades afetadas por fragmentos classificados como “esparsos” pela força-tarefa.

Oito dos 11 estados afetados pela manchas de óleo que contaminam o litoral brasileiro desde agosto estão destinando os resíduos para aterros sanitários ou fábricas de cimento que reaproveitam o material.

Investigação federal

O governo federal não concluiu as investigações sobre a origem do óleo. As investigações já apontaram que a substância é a mesma em todos os locais afetados: petróleo cru. Uma investigação da Polícia Federal no Rio Grande do Norte chegou a apontar que o navio grego Bouboulina como o principal suspeito pelo vazamento. A Marinha disse que a embarcação é uma entre as 30 suspeitas.

A empresa Delta Tankers, responsável pelo navio, afirma ter provas de que o Bouboulina não tem relação com o incidente. A Delta foi notificada pela Marinha brasileira junto com responsáveis por outras quatro embarcações de bandeira grega.

No dia 15, a consultoria americana SkyTruth publicou um artigo dizendo que não concorda com a análise que aponta suspeitas sobre o Bouboulina.

A organização, especializada em monitorar os oceanos por meio de imagens de satélite, disse que não viu “nenhuma evidência convincente de manchas ou fontes de óleo nas imagens” e que “não concorda” com as análises publicadas “por outras pessoas que alegam ter resolvido o mistério”. Em uma nota técnica, o Ibama diz que “não há condições” de encontrar manchas em alto mar com uso de satélites.

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