Domingo, agosto 14, 2022

Ali Khamenei lidera multidão em homenagem a general iraniano em Teerã, no Irã

Qasem Soleimani foi morto em um ataque americano em Bagdá, no Iraque. Ele será enterrado na terça-feira.

O líder supremo do Irã, o aiatolá Ali Khamenei, lidera nesta segunda-feira (6) uma homenagem para o general iraniano Qassem Soleimani, morot em um ataque americado em Bagdá (Iraque), no funeral que reúne uma multidão, em Teerã.

Carregando cartazes com o retrato de Soleimani, as pessoas se reuniram nos arredores da Universidade da capital iraniana, onde Khamenei faz orações pelo general, que comandava a Força Quds, uma unidade de elite da Guarda Revolucionária Iraniana com atuação no exterior.

‘Plano de Trump falhou’

A filha do general, Zeinab Soleimani, declarou que o “plano maligno” do presidente americano, Donald Trump, de causar separação entre o Iraque e o Irã falhou. O funeral mobiliza uma multidão em Teerã nesta segunda-feira (6).

“Trump, seu jogador compulsivo, seu plano maligno de causar separação entre o Iraque e do Irã com seu erro estratégico de assassinar Qasem Soleimani e Abu Mahdi Al-Muhandis [líder da milícia iraquiana] falhou e só causou unidade histórica entre as duas nações e provocou seu ódio eterno por Estados Unidos “, disse Zeinab Soleimani.

Ela afirmou ainda que a morte de seu pai trará dias mais escuros para os Estados Unidos e Israel.

Multidão participa do funeral do general Qassem Soleimani morto em ataque dos EUA

Multidão participa do funeral do general Qassem Soleimani morto em ataque dos EUA

“Hei, louco do Trump, você é o símbolo da estupidez e um brinquedo nas mãos dos sionistas internacionais”, afirmou.

Multidão acompanha funeral de general Qassem Soleimani em Teerã, no Irã, nesta segunda-feira (6)  — Foto: Site oficial da Khamenei / Reuters

Cartaz com a foto do líder espiritual do Irã, aiatolá Ali Khamenei, concedendo a maior honra militar do país ao general Qasem Soleimani, morto em ataque americano, é visto durante funeral em Teerã, nesta segunda-feira (6)  — Foto: Atta Kenare / AFP

Cartaz com a foto do líder espiritual do Irã, aiatolá Ali Khamenei, concedendo a maior honra militar do país ao general Qasem Soleimani, morto em ataque americano, é visto durante funeral em Teerã, nesta segunda-feira (6) — Foto: Atta Kenare / AFP

Homenagens

As homenagens ao general começaram no sábado (4) ainda no Iraque. Depois de sair de Bagdá, o corpo passou pelas cidades de Karbala e Najaf, consideradas sagradas pelos muçulmanos xiitas.

No domingo (5), o corpo seguiu para o Irã e milhares de pessoas no funeral, que começou na cidade de Ahvaz, no sudoeste do Irã. De lá, o corpo de Suleimani seguiu para Mashhad, no nordeste do país. Na terça (7), o cortejo chegará a Kerman, cidade natal do general, onde será realizado o sepultamento.

Ataque e a escalada da tensão

O general Qasem Soleimani e sua comitiva foram alvos de um ataque com drones perto da aeroporto de Bagdá, no Iraque, na sexta-feira (3), no horário local.

Soleimani, de 62 anos, era considerado o segundo homem mais poderoso do Irã, abaixo apenas do líder supremo, o aiatolá Ali Khamenei.

Os Estados Unidos, que classificam a Quds uma força terrorista, acusaram Soleimani de estar “ativamente desenvolvendo planos para atacar diplomatas americanos e membros do serviço no Iraque e em toda a região”.

Soleimani era apontado como o cérebro por trás da estratégia militar e geopolítica do país.

O Irã prometeu se vingar da morte de Souleimani e, em resposta, Trump disse que atacará 52 alvos caso os norte-americanos sejam alvo de alguma ação iraniana.

Neste domingo (5), o chefe do Exército iraniano disse que os EUA não teriam “coragem” para o “conflito”, e o ex-ministro da Defesa iraniano e atualmente conselheiro militar do aiatolá Hossein Dehghan afirmou à CNN que “a resposta [ao ataque que matou Soleimani] será com certeza militar e contra alvos militares”.

O Irã anunciou que seu trabalho de enriquecimento de urânio não respeitará mais o acordo nuclear de 2015, que limitava o nível de enriquecimento a 3,6%, e que sua produção não terá mais restrições.

No fim da noite de sábado, no horário local, foguetes atingiram a zona verde, área de Bagda onde ficam embaixada dos EUA e outras representações diplomáticas, e uma base que abriga militares norte-americanos em Balad, a 80 km da capital iraquiana. Ninguém ficou ferido e não se sabe a autoria dos ataques.

Líderes mundiais têm pedido para que Irã e EUA evitem a escalada de violência. Neste domingo, o Papa Francisco pediu “diálogo e comedimento” em meio às tensões no Oriente Médio.

Local onde general iraniano foi morto em Bagdá, no Iraque — Foto: Roberta Jaworski/G1
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